16 de agosto de 2015

Simplesmente fofo - Resenha de "Garoto Encontra Garoto", de David Levithan

Imagem: Cachola Literária



Título: Garoto Encontra Garoto (Boy Meets Boy)
Autor: David Levithan
Tradução:
Editora: Galera Record
240 páginas

Olá pessoal!
Estou aqui porque eu quero, porque eu DEVO e porque eu PRECISO falar deste livro fofo - na falta de uma palavra melhor - que acabei de ler.

"Andamos pela cidade mãos dadas. Se alguém repara, ninguém liga.
Sei que todos gostamos de pensar no coração como o centro do corpo, mas nesse momento, 
cada parte consciente de mim, está na mão que ele segura."

Sou uma romântica incurável, delirante e sonhadora, defensora do amor acima de todas as coisas, de todas as formas e de todos os conceitos e esse livro me trouxe tudo isso e muito mais. Me trouxe o resgate daquele amor inocente, sabe? Quando a gente gosta do garoto bonito da escola e acha que ele é areia demais pro nosso caminhãozinho e, de repente, não mais que de repente, aquele garoto gosta de gente? Milagres que acontecem de um em um milhão e que enchem o coração da gente de alegria? Um mundo com mais aceitação e tolerância? Tudo isso me fez ficar embriagada e não conseguir ler mais nada porque a linda história de amor de Paul e Noah tomou todos os meus espaços e eu não consigo deixar que eles saiam de mim. O livro é divertido, faz a gente pensar, faz a gente rir, faz a gente torcer, deixa a gente co raiva de algumas coisas e a palavra para mim é resgate. Resgate do amor no mais puro sentido da palavra. E fazia tempo que eu não lia um romance assim (e olha que eu leio muito!), que me deixou flutuando e delirando como se uma das metades do casal fosse eu. 

"- A gente se vê por aí.
Tenho vontade de dizer 'espero que sim', mas fico com medo de ser avançado demais. 
Sou capaz de flertar com os melhores, mas só quando não importa.
  - A gente se vê - ecoo."

Paul e Noah ainda estão na escola e se conhecem numa biblioteca (olha que lugar mais lindo para uma história de amor começar <3). A partir deste primeiro momento, Paul começa a sentir algo diferente e o romance dos dois começa a se desenvolver.
Os personagens deste livro são incríveis. David Levithan tem uma sensibilidade que não dá para descrever. 
Noah é um Príncipe Encantado gente! E se eu for ficar enumerando cada razão pela qual eu gostei dele, essa resenha não vai ter fim.
 Paul é bastante confuso, atrapalhado, e vive tantas situações que eu já vivi, que me identifiquei com ele muitas vezes.

Noah é pontualíssimo. E trouxe flores para mim. Tenho vontade de chorar. Sou tão bobo, mas agora estou tão feliz. São jacintos e jacarandás e uma dezena de outras flores que não consigo nem começar a nomear. Um alfabeto de flores. Ele as está dando para mim, sorrindo e dizendo oi, esticando os braços e colocando-as na minha mão. A camisa dele brilha um pouco na luz do sol, e o cabelo está bagunçado, como sempre. Ele hesita um pouco no degrau de entrada, esperando para ser convidado. Eu me inclino para a frente e o beijo.

Toni é o melhor amigo de Paul e poderia ser um pretendente perfeito mas, conforme a história se desenvolve, a gente vai percebendo que a amizade entre os dois é um amor muito maior do que qualquer outro e esse é um dos pontos altos do livro para mim. Toni é um garoto que esconde dos pais que é gay - e que seu melhor amigo é gay também - pois seus pais são extremamente religiosos e não aceitariam sua condição jamais. Por essa amizade, Paul se une a Joni - sua melhor amiga - para inventar histórias e poder tirar Toni de casa.

"...Acho que nós dois sabíamos, mesmo naquele momento, que o que tínhamos era uma coisa ainda mais rara e mais importante. Eu seria seu amigo e mostraria possibilidades a ele. 
E ele, em troca, se tornaria alguém em quem posso confiar mais do que em mim mesmo."

Joni é a melhor amiga de Paul, uma garota comum, cujo ex namorado ainda é apaixonado por ela, que por sua vez, está começando um namoro com um garoto do qual ninguém gosta. Esse namoro tolhe partes de sua personalidade, o que acaba interferindo em suas amizades, principalmente em sua relação com Paul. Fiquei com muita raiva da Joni porque ela não consegue enxergar que está saindo com um babaca e jogando seu melhor amigo de anos pra escanteio. Sério! Teve horas em que eu queria sacudir o livro e dar uns tabefes na cara dela perguntando como é que ela podia ser tão estúpida! (Ok, ok, muitos sentimentos pessoais envolvidos aqui. Paul, cara, eu sei exatamente como você se sentiu - 'suspiros').

"Não consigo mais aguentar. Estou surtando porque sei que cometi um erro com Kyle, e estou surtando porque não parece ser de todo um erro. Estou surtando porque minha amizade com Joni está passando por um momento delicado depois de dez anos, e estou surtando porque ela não parece se importar. Estou surtando porque Noah parece não saber o que quero dele, e estou surtando porque não sei o que eu poderia dar a ele em retribuição. Estou surtando porque fui pego no flagra, e não por outra pessoa, mas por mim mesmo. Eu vejo o que estou fazendo. E não consigo me impedir de piorar as coisas."

E temos também Infinity Darlene, uma das personagens mais incríveis do livro. Uma super amiga para todas as horas, apoiando Paul com todo seu jeito exuberante, porém verdadeiro. E eu não vou falar mais nada da Darlene aqui para não estragar a reação de quem ainda não leu. Mas ela é uma personagem que merece destaque e que foi, sem dúvida, muito bem construída.

Para fechar o grupo, temos Kyle, o ex namorado de Paul, que vive um dilema de identidade sexual: ele não sabe se é gay, se é hétero, se é verde, amarelo ou azul. Ele fica rondando Paul, pois apesar de ter sido ele quem terminou o relacionamento por achar que gostava de mulher, agora resolveu que sente falta de Paul e quer ser gay de novo. Não gostei do Kyle. A meu ver apareceu só para atrapalhar, não sabe o que quer da vida, se casa ou compra uma bicicleta, enfim, muita confusão mental para mim. Apesar de que no final eu comecei a torcer para que um novo amor surgisse na vida dele, mas o autor não desenvolveu tanto essa parte da história, ficou meio que nas entrelinhas... Mas bem que ia ser legal se tivesse acontecido, pelo contexto geral da situação. 
E é no meio de todo esse turbilhão que Paul tenta seguir seu amor por Noah e fazer com que tudo dê certo.

"Podemos chamar você de ambissexual ou duosexual ou,,,
- Preciso mesmo encontrar uma palavra para isso? Não posso apenas ser?"

Eu amei esse livro, apesar da realidade utópica - sim , isso ficou paradoxal - que ele retrata. Na cidade de Paul ser gay não é problema - o que seria muito lindo se fosse verdade, mas infelizmente a gente sabe que não é - a ponto de o time de futebol, ter como quarterback uma drag quenn! Que como se não bastasse isso, é também a Rainha do baile!
Fora isso existem tantas razões para eu ter amado esse livro que se eu ficar falando vou acabar contando a história toda, o que não é o que eu quero, porque todo mundo tem o direito de se surpreender e se apaixonar por esse livro que, não tem outro jeito de chamar a não ser FOFO.

Lindo seria se a gente pudesse viver no mundo que este livro retrata. Acho que a minha ressaca vem daí. É tudo tão lindo, que dá vontade de ficar lá e não aqui nesse nosso mundo real.

Por hoje é só, leiam este livro e celebrem o amor!

Beijos e até a próxima!

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