22 de junho de 2015

Resenha: "Como Eu era antes de Você" - Jojo Moyes


Sinopse: Aos 26 anos, Louisa Clark não tem muitas ambições. Ela mora com os pais, a irmã mãe solteira, o sobrinho pequeno e um avô que precisa de cuidados constantes desde que sofreu um derrame. Além disso, trabalha como garçonete num café, um emprego que ela adora e que, apesar de não pagar muito, ajuda nas despesas. E namora Patrick, um triatleta que não parece interessado nela. Não que ela se importe. Quando o café fecha as portas, Lou se vê obrigada a procurar outro emprego. Sem muitas qualificações, a ex-garçonete consegue trabalho como cuidadora de um tetraplégico. Will Traynor, de 35 anos, é inteligente, rico e mal-humorado. Preso a uma cadeira de rodas depois de um acidente de moto, o antes ativo e esportivo Will desconta toda a sua amargura em quem estiver por perto e planeja dar um fim ao seu sofrimento. O que Will não sabe é que Lou está prestes a trazer cor a sua vida. E nenhum dos dois desconfia de que irá mudar para sempre a história um do outro.




Depois de tanto falar aqui sobre a minha paixão por esse livro, finalmente criei coragem de resenhá-lo no blog. Semana passada me peguei completamente abalada nas minhas estruturas com todas as notícias que estão sendo divulgadas sobre a adaptação dele para o cinema, e a consequência disso se fez no meu coração, que não aguentou a saudade de Lou e Will, e por isso me fez mergulhar novamente nessa história que mexeu comigo muito mais que qualquer outra. Aliás, no tocante à capacidade de proporcionar reflexões, mexer com valores que a gente tem como certos e nos fazer mergulhar de cabeça numa realidade que conscientemente a gente sabe que pertence a um livro, a trama de "Como Eu Era Antes de Você" - pelo menos para mim - se compara a de "Orgulho e Preconceito", apesar dos dois livros abordarem temáticas completamente diferentes. Mas, porém, todavia, contudo, vou deixar de blá-blá-blá e apresentá-los a Will e Lou. 

Quando li a sinopse desse livro, eu andei muito longe de imaginar o quão particular seria sua história pra mim, pois confesso que não foi exatamente ela que despertou minha curiosidade. Na verdade foi o título que chamou minha atenção, e acredito que qualquer que fosse a apresentação da história descrita na sinopse, eu o teria lido mesmo assim. Como eu era antes de você, a expressão, nos remete a realidade da influência que exercemos uns sobre os outros, certo? Ao fato de que como pessoas estamos sempre em processo de mudança, transformação, e nenhum fator é tão influenciador nesse sentido quanto as relações que travamos ao longo do caminho. Pois bem. É exatamente sobre isso que nos fala Como Eu era antes de Você, o livro. Sobre o impacto que os personagens causaram na vida um do outro; sobre a transformação que Louisa Clark vivenciou quando conheceu Will Traynor, e sobre o quanto a presença de Lou se tornou importante para a melhoria da vida de Will.

Como Eu era antes de Você nos apresenta inicialmente a Will, um empresário londrino bem sucedido, amante da vida e apaixonado por esportes e adrenalina. Percebemos que ele tem uma rotina agitada antes mesmo de chegarmos a quinta página do livro, e por isso o desenrolar da história vai tornando intensamente profundo e complexo. Imagina você de uma hora para outra perder toda a liberdade quem tem? Pois é... Foi exatamente isso que aconteceu com Will Traynor quando, numa manhã chuvosa, ele foi atropelado por um motociclista. Esse acidente, além dos movimentos dos braços e pernas, lhe tirou também toda a alegria e a vontade de viver. Assim, num salto de dois anos da história, vamos encontrar também Louisa Clark, uma jovem mulher de 26 anos, que nos é apresentada como alguém simplesmente normal - para alguns, isso significaria sem sal. Sem grandes ambições, ela mora com a família (pai, mãe, irmã, sobrinho e avô) e namora Patrick, um personal trainer viciado em corrida. A vida de Louisa, contudo, sofre uma reviravolta inesperada quando o Café em que ela trabalha fecha as portas e ela precisa urgentemente de um novo emprego. 

Eu poderia escrever horas e horas sobre esse livro, gente. Sério. Mas além de não querer cansar vocês com a minha empolgação, não quero correr o risco de estragar o prazer daqueles que ainda não o leram ao deixar escapar alguns spoilers. O que posso dizer a respeito desse romance, basicamente, é que ele vai muito além de uma história de amor. Na verdade, eu acredito que a Jojo - para escrevê-lo - deve ter feito uma pesquisa prolongada a respeito da vida das pessoas com deficiência, sobre os seus medos, expectativas, vontades, frustrações, desejos e sonhos. O livro nos remete a um universo de sentimentos e é impossível não sentir as emoções dos personagens. Eu, por exemplo, ora me sentia como Will, ora como Lou, e isso sem contar as vezes em que me vi meio que na pele de Camylla Traynor, mãe do Will e responsável pela contratação de Louisa como "cuidadora" deste.  Sim, é nesse contexto - cuidadora e assistido - que eles se encontram, e que a partir desse momento, sua vidas nunca mais serão as mesmas.

Sam Claflin e Emilia Clarcke durante as filmagens de "Como Eu era antes de Você". Fonte: Facebook
É difícil discorrer sobre o desenrolar da história sem contar os seus detalhes, mas o que posso adiantar - já que a sinopse fala a respeito - é que Lou consegue, com o tempo, trazer um pouco do antigo Will de volta. Seu jeito espontâneo, muitas vezes desastrado e, principalmente, sua forma de lidar com ele (ele quase sempre é grosseiro e sarcástico), fazem com que Will se permita, pouco a pouco, baixar a guarda, passando com isso a enxergar nela alguém que ele deseja ter por perto. E esse é um dos fatos mais marcantes no livro. Ele fazendo de tudo para que Lou desabroche e descubra os próprios potenciais, e ela dando o melhor de si, tentando fazê-lo reconhecer que ainda poderia existir vida após o acidente. De minha parte, eu só digo uma coisa a esse respeito: é tenso! Se de um lado eu torcia muito para Louisa conseguir fazê-lo desistir das Dignitas, por outro eu compreendia perfeitamente o pensamento, o desejo, e os temores de Will (e isso de fato me assustou, porque o desejo dele é completamente o contrário de tudo aquilo em que eu acredito).

Enfim, o fato é que esse livro, bem como Will e Lou ficarão para sempre entre os primeiros no rol dos meus favoritos. Não posso deixar de dizer que o final é totalmente o oposto do que eu esperava e desejava ardentemente, mas esse fato não tirou de mim o amor por essa linda história. Fazendo jus ao que eu imaginava quando o título despertou em mim a vontade de lê-lo, Como Eu era antes de Você é sobretudo um romance que nos fala sobre a importância dos papéis que desempenhamos na vida uns do outros; sobre o quanto nossas atitudes, palavras e comportamentos podem vir a ser um bem ou mal na vida daqueles que convivem conosco. No livro a atitude de Lou visava salvar Will da morte, e a de Will tinha por objetivo salvar Louisa da existência morna e sem qualquer perspectiva que ela levava. Ambos deram o melhor de si, mas - talvez espelhar realmente a vida tenha sido o objetivo da autora - o fato é que nem sempre o melhor de alguém é o bastante para outro. Enfim, o livro tem um quê agridoce é bem verdade, mas é impossível não se emocionar com ele.

É isso, gente. Beijos e até a próxima! Deixo alguns quotes para vocês e, abaixo, um vídeo elaborado por uma fã do livro, com algumas das cenas da adaptação para o cinema. O lançamento do filme está previsto para 2016. #ansiedademodoon
 

“Sei que essa não é uma história de amor como outra qualquer. Sei que há motivos para eu nem dizer isso. Mas eu amo você. De verdade.”
*
“Quando o pegava olhando para fora através da janela, pensava que ele era a pessoa mais triste que eu já conhecera.”
*
“Fiquei deitada imóvel, ouvindo a respiração dele lenta e profunda, o som da chuva por trás dela, senti meus dedos cálidos entrelaçados nos meus. Eu não queria voltar pra casa. Pensei que poderia nunca mais voltar.”
*
"Sabe como é difícil não dizer nada? Quando seu corpo inteiro quer fazer o contrário?"
*
"Ninguém quer ouvir você falar que está com medo, ou com dor, ou apavorado com a possibilidade de morrer por causa de alguma infecção aleatória e estúpida. Ninguém quer ouvir sobre como é saber que você nunca mais fará sexo, nunca mais comerá algo que você mesmo preparou, nunca vai segurar seu próprio filho nos braços. Ninguém quer saber que às vezes me sinto tão claustrofóbico estando nesta cadeira que tenho vontade de gritar feito louco só de pensar em passar mais um dia assim."
*
"Seu corpo era apenas uma parte do pacote completo, algo para se lidar de vez em quando, em intervalos, antes de voltarmos a conversar. Para mim, tinha se tornado a parte menos interessante dele."
*
"Beijei-o, tentando trazê-lo de volta. Deixei meus lábios nos dele de maneira
que nossa respiração se misturou e minhas lágrimas viraram sal na sua pele e
disse a mim mesma que, em algum lugar, pequenas partículas dele virariam
pequenas partículas de mim, ingeridas, engolidas, vivas, eternas. Queria apertar
cada parte minha nele, deixar alguma coisa minha nele, dar a ele cada pedaço da
minha vida e obrigá-lo a viver." 
*
"Com que direito você destrói a
minha vida — eu queria perguntar —, e eu não estou autorizada a dizer nada a você
sobre isso?" 
 *
"É isso. Você está marcada no meu coração, Clark. Desde o dia em que
chegou, com suas roupas ridículas, suas piadas ruins e sua total
incapacidade de disfarçar o que sente. Você mudou a minha vida muito mais
do que esse dinheiro vai mudar a sua.
Não pense muito em mim. Não quero que você fique toda sentimental.
Apenas viva bem.
Apenas viva.
Com amor,
Will" 


18 de junho de 2015

O Amor nas Palavras - Resenha de "Paixão ao Entardecer". de Lisa Kleypas


Créditos na Imagem


Título: Paixão ao Entardecer (Love in the Afternoon)
Autor: Lisa Kleypas
Tradução: Ana Rodrigues
Editora: Arqueiro
272 páginas
Livro 5 da série Os Hathaways


Sinopse: Mesmo sendo uma família nada tradicional, quase todos os irmãos Hathaways se casaram, até mesmo Leo, que era o mais avesso a essa ideia. Mas para a caçula Beatrix, parece não haver mais esperança. Dona de um espírito livre, apaixonada por animais e pela natureza, Beatrix se sente muito mais à vontade ao ar livre do que em salões de baile. E, embora já tenha frequentado as temporadas londrinas e até feito algum sucesso entre os rapazes, nunca foi seriamente cortejada, tampouco se encantou por nenhum deles. Mas tudo isso pode mudar quando ela se oferece para ajudar uma amiga.
A superficial Prudence recebe uma carta de seu pretendente, o capitão Christopher Phelan, que está na frente de batalha. Mas parece que a guerra teve um forte efeito sobre ele, e seu espírito, antes muito vivaz, se tornou bastante denso e sombrio. Prudence não tem a menor intenção de responder, mas Beatrix acha que ele merece uma palavra de apoio – mesmo depois de tê-la chamado de estranha e dito que a jovem é mais adequada aos estábulos do que aos salões. Então começa a escrever para ele e assina com o nome da amiga. Beatrix só não imaginava o poder que as palavras trocadas teriam sobre eles. De volta como um aclamado herói de guerra, Phelan está determinado a se casar com a mulher que ama. Mas antes disso vai ter que descobrir quem ela é. 

Finalmente acabei a série "Os Hathaways", de Lisa Kleypas e posso dizer que eu esperava muito mais deste último livro.
Beatrix é com certeza a mais excêntrica figura desta família e tinha um leque de possibilidades para oferecer. A sensação que eu tenho é de que Lisa entrou em desespero, naquela "vibe" de "tenho que escrever o último livro" e puf, ele saiu assim.
Não que eu não tenha gostado. Eu gostei bastante. Mas fiquei com aquela sensação de que este último livro não foi tão bem elaborado como os outros.
Beatrix toma o lugar de sua amiga Prudence e passa a escrever cartas para o Capitão Phelan. Um homem que ela considerava arrogante por ter ouvido certo comentário maldoso que ele fez a seu respeito certa vez. (A comparação com "Orgulho e Preconceito" nesta parte é inevitável!)
Apesar dessa antipatia inicial, quando lê a carta dele para amiga, Beatrix enxerga algo mais e sente que este homem precisa de uma resposta. E assim os dois começam a se corresponder. Ele se apaixona por aquela mulher das cartas de um jeito como nunca se apaixonou por ninguém. É muito lindo o jeito que eles se apaixonam sem se conhecerem. As palavras de um para o outro é que fazem nascer o amor e isso foi o que mais gostei no livro. Esse amor que nasce além da superfície.Tanto é que quando retorna, logo descobre que a figura que imaginava não é a mesma mulher das cartas. 


“Caríssimo Christopher,
Não posso mais escrever para você.
Não sou quem acha que sou.
Não tinha a intenção de enviar cartas de amor, mas foi isso que elas se tornaram. No caminho até você, as palavras se transformaram nas batidas do meu coração gravadas em papel.
Volte, por favor, volte para casa e descubra quem sou.
(sem assinatura)”


Achei que isso também poderia ter sido melhor desenvolvido, não sei. Para mim, os acontecimentos deste livro foram meio atropelados... Não dava aquele mesmo frio na barriga que eu sentia por exemplo, quando li o livro da Poppy e do Harry que continua sendo disparadamente meu preferido.
Achei que faltou emoção., suspense, sabe? Cenas de ciúme, a  amiga querendo entrar na disputa, ou mesmo o final que prometia um pouco mais de ação, decepcionou por ser muito rapidamente resolvido. Faltou fluidez dos acontecimentos, o que tornou a leitura um tanto quanto cansativa em algumas partes.
Apesar de eu ter ficado querendo mais desse livro, é inegável que a escrita de Lisa é envolvente e a gente fica ansiando pela próxima página. Este livro me tomou dois dias de leitura e atropelou um monte de outros que estavam na fila. 
Mesmo assim eu queria mais alguma coisa. Talvez seja só a tristeza porque a série chegou ao fim e o que eu queria era que  não acabasse... Sei lá.

Quero ser sua.
Que Deus a ajude, você já é!

De modo geral, "Os Hathaways" é uma série que vale muito a pena. Se você ainda não leu, leia porque você com certeza vai se apaixonar por um dos Hathaways e talvez até venha aqui brigar comigo dizendo que o livro da Beatrix é o melhor e que eu não sei de nada. Seja la´como for, não tenho dúvidas de que todas essas histórias vão flechar o seu coração assim como flecharam o meu e você vai querer ficar com essa família maluquinha mais um tempo.
Por hoje é só!
Até a próxima!

16 de junho de 2015

Conhecendo Jane - Resenha de "Jane Austen: Uma Vida Revelada", de Catherine Reef




Título: Jane Austen: Uma Vida Revelada (Jane Austen - a life revealed)
Autor: Catherine Reef
Tradução: Kátia Hanna
Editora: Novo Século
220 páginas

Quando eu ganhei este livro de aniversário lá em fevereiro, eu já achei ele lindo. Gente, olha para ele, tem como não achar esse livro lindo? Uma riqueza de detalhes. uma delicadeza e uma capa linda, combinação perfeita de cores... Me apaixonei. Não preciso citar que o fato de ser uma biografia de Jane Austen foi o primeiro motivo que me fez amá-lo. Não sou muito fã de biografias, como já disse aqui, mas se tratando desta mulher, qualquer resquício ou indício desperta minha atenção.
Demorei para ler porque fiquei com medo de abrir, li ele quase fechado, com medo de abrir demais e causar algum dano de tão lindo e delicado que ele é.

Contracapa


Este livro conta, como o próprio título já diz, a história da vida de Jane Austen, essa escritora maravilhosa, que nos deu de presente o amor de nossas vidas: Mr. Darcy. Lendo sua história, pode-se perceber que ela era uma mulher muito observadora e que tirava de suas experiências do dia a dia, a fonte de inspiração para seus livros.


"...tia Jane era inteligente demais para não esconder os possíveis sinais de 'mediocridade" ... e aprender sozinha a ser mais refinada." p.98

 Há mesmo uma parte onde a autora Catherine Reef, compara em que parte de cada uma de suas obras, está a semelhança com os acontecimentos de sua vida.
Podemos conhecer detalhes que jamais poderíamos imaginar, saber mais sobre sua mal sucedida história de amor, de onde veio a surgir o fato de que ela dizia que todas as suas personagens seriam felizes, de uma maneira que ela mesma jamais foi.


"Jane trabalhava na pequena mesa da sala onde ficava o piano. No entanto, mantinha sua atividade de escritora escondida dos criados e dos vizinhos e corria para ocultar o manuscrito quando alguém entrava no cômodo." p.116

Conhecemos sua infância e juventude, seus pais, seus familiares, seus irmãos, cunhadas e sobrinhos e a relação profunda de amor e amizade que ela tinha com sua irmã Cassandra. Vemos a dificuldade que ela enfrenta por ser mulher e escritora, quantas negativas suas obras primas receberam por simplesmente terem sido escritas por uma mulher. Como era difícil na sociedade daquela época, optar por esse caminho.

"Sou a mulher mais desinformada que já ousou ser autora." p.165

Há capítulos dedicados à descrição de cada obra, seus personagens e as impressões que seus livros causaram nas pessoas que os leram assim que foram publicados. E há também as opiniões da própria Jane sobre seus livros.

Darc e Elizabeth versão 2005


Há fotos de cartas que ela escreveu e até mesmo de seu testamento, onde dá até para gente ler uns pedacinhos.
Enfim, não tem muito o que falar além de que este livro é lindo e que todo fã de Jane Austen deve tê-lo na estante. É um livrinho pequenininho e, no entanto, abriga um tesouro sem tamanho entre suas páginas. Vale muito mais que a pena.

Reprodução do testamento de Jane Austen


Por hoje é só!
Até a próxima!

2 de junho de 2015

Resenha: "Sem Palavras - Um Romance Quase Impossível"

Oi, gente! 

Peço licença para começar essa resenha de um jeito diferente, escrevê-la inicialmente relembrando uma pergunta que me fizeram há algum tempo, sobre o porquê de eu gostar tanto de ler. Minha resposta foi simplesmente porque sim, porque foi um hábito adquirido ao longo tempo e blá blá blá... É que naquele momento não me cabia divagar sobre a importância dos livros e das histórias que neles encontro... Sobre a forma que a vida achou, talvez, de manter acesa em mim a chama da esperança e me dizer que não importa o caos dentro ou fora de nós, sempre vale a pena sonhar e correr atrás daquilo que faz bater o nosso coração.

Por que, afinal, comentei sobre isso? - você deve estar se perguntando. Bom, se você chegar até o final dessa resenha e se decidir por ler o "Sem Palavras - Um Romance Quase Impossível", livro escrito por Wallace Cavalcante, o mais novo parceiro do blog, você vai entender que a história de Sofia e Alan é justamente dessas, do tipo que inspira e nos faz acreditar que o impossível é um limite criado pelo medo e, principalmente, pelo preconceito humano. Alan e Sofia seriam só mais um dos casais literários que entraram para o meu rol de favoritos, mas o fato é que a sua história não é apenas um conto de amor invencível. Wallace foi além do romance ao escrever sobre a importância do laços familiares e das amizades, sobre o quanto estes podem influenciar positiva ou negativamente no nosso destino.

Apreciem por si mesmos, okay?

Imagem cedida pelo Autor


Sinopse 
Sem Palavras - Um Romance Quase Impossível: Alan e Sofia eram dois jovens que queriam viver a sua história de amor em paz. A vida lhes deu algo que tornava este relacionamento quase impossível. Sofia nasceu cega. E Alan, mudo. No entanto, isso não os impediu de lutarem pelo amor que ambos sentiam um pelo outro. Tudo teria sido bem menos complicado se os pais de Sofia não tivessem sido tão rígidos quanto a união deste relacionamento. E para ajudar Alan e Sofia a ficarem juntos, eles contaram com o apoio de algumas pessoas. Entre elas, Dmitri Ivanovich, um fonoaudiólogo que terá uma participação mais do que importante na vida deste casal tão especial.





Confesso que mesmo deduzindo que o livro teria um final feliz - o título dá essa dica, né? - eu fiquei meio intrigada sobre como se desenvolveria um romance entre uma garota com deficiência visual e um rapaz com deficiência na fala. Alan se comunicando através da língua de sinais e Sofia não podendo enxergar seus gestos, como eles poderiam conversar, se entender, se comunicar enfim, algo que é imprescindível a toda e qualquer relação, seja ela afetiva ou não? Claro que apesar desse questionamento, quando eu parei para pensar que tal fato poderia se dar na vida real de duas pessoas, refleti que acima de qualquer obstáculo no que diz respeito à comunicação, eles não impediriam que o amor acontecesse se esse sentimento fosse real e verdadeiro. Tá, esse é meu lado sonhador e romântico falando alto, mas, quer saber? Penso que mundo seria bem melhor se todo mundo tivesse esse jeito "cor-de-rosa" de pensar...

Eles se conheceram quando Sofia e sua família visitavam a ACeDT (Amigo da Criança e De Todos), uma instituição fundada para atender todas as pessoas com necessidades especiais que moravam em Amalaya, cidade em que morava Alan e para a qual a família Hausenback acabara de se mudar. Alan se encanta por ela desde o primeiro momento, e mesmo negando, esse fato fica imediatamente claro para Dmitri Ivanovich, fonoaudiólogo da ACeDT e melhor amigo de Alan.
"Por que eu não consigo parar de pensar nela? Perguntava a si mesmo. Isso não faz sentido, eu a conheci hoje, nem conversamos, e eu já estou apaixonado por ela? Isso... isso é impossível."
Desde o primeiro encontro na instituição, Alan fica preocupado com os próprios sentimentos em relação a garota de 24 anos que, sem perceber, mexeu com o seu coração; mas, tadinho, claro que ele não consegue conter o entusiasmo quando o acaso lhes proporciona um segundo momento com Sofia e sua família, dessa vez num supermercado. Nesse encontro se dá a primeira conversa entre os dois, quando Lúcia, mãe da garota, lê para ela as palavras que o rapaz lhe escreveu num papel. Nessa oportunidade, Allan convida toda a família para jantar no restaurante dos seus pais, um convite que é aceito com alegria por parte de todos. Até esse ponto do livro, eu preciso dizer, a impressão que a gente tem a respeito dos pais de Sofia não nos prepara em nada para a trama que se desenrola no decorrer da história. 

Não vou detalhar os acontecimentos que marcam todo o livro por causa do risco de spoilers, mas como a sinopse já diz, o grande obstáculo para o romance entre os personagens não esteve nas suas limitações físicas como se poderia imaginar inicialmente. A verdade é que muito mais difícil que lidar com a incapacidade de ver, falar e se comunicar como um casal sem deficiência, para eles foi o fato de ter que enfrentar o preconceito revestido de atitudes super protetoras por parte dos pais de Sofia. Lucia e Vitor que inicialmente se colocaram como pessoas gentis e generosas, quando souberam da possibilidade de sua filha vir a se relacionar com uma rapaz também com deficiência, se transformaram nos dois carrasco do romance nascente.
"Lúcia apertou a mão de Sofia com um pouco mais de força sem perceber. Se Sofia pudesse enxergar, ela veria a apreensão estampada no rosto de sua mãe, causada por uma rápida visão do futuro em que Lúcia viu a sua filha ao lado de Alan. 
Você e ele juntos, não faz o menor sentido.
— Por que não? 
— (...) vocês dois juntos é algo impossível de acontecer.
Sofia segurou com força o lençol que forrava a sua cama.
— Por que impossível?
Sofia já sabia o que Lúcia iria lhe dizer, e por mais dura que fosse ouvir isso vindo de sua própria mãe, ela queria escutar porque no fundo, ela tinha uma esperança de que talvez, estivesse errada.
— Porque... — Lúcia hesitou. — Porque você é cega, Sofia, e ele é mudo. Diga-me: como vocês dois poderão ter uma vida feliz? — Lúcia viu a garganta de Sofia sendo retraída, sabia que ela tinha engolido suas palavras a seco. Mesmo assim, ela não parou. — Não é nem tanto por você, mas, é mais por causa dele. Você pode falar, mas ele não, a comunicação é uma das coisas mais importante em um relacionamento. E vocês dois não têm isso. Só de pensar em vocês dois juntos, já me dar dor de cabeça. Eu só quero o seu bem minha filha, eu te amo, e..."

Achei esse diálogo entre mãe e filha de uma beleza e uma sensibilidade ímpar. Amor tentando barrar o fluxo do Amor. Estranho, né? Mas foi assim que enxerguei a problemática e o conflito entre as duas. Que a Lúcia ama a filha, isso é inegável e está presente em todas as páginas do livro. Mesmo fazendo uso de palavras mal ditas e até com um tapa num momento de exaltação, a mãe tenta agir de modo a proteger a filha das possíveis dores que o relacionamento com Alan poderia provocar-lhe. "Lúcia pensava: Eu sei o que é o melhor para ela. Ela pode está sofrendo agora, mas, mais tarde, ela vai me agradecer por isso." Era esse o pensamento da mãe de Sofia no livro. É esse o pensamento de milhares de mães na vida real, sejam mães de filhos com deficiência ou não, no fundo o que elas desejam é manter seus rebentos no melhor estado de segurança física e emocional possível.

Bom, mas estou eu aqui só me prendendo ao jovem casal, e esquecendo o personagem mais lindo do livro. Sim, mais lindo que Sofia e Alan, os personagens principais dessa história. Refiro-me ao fonoaudiólogo Dmitri Ivanovich. Desde a primeira página ele nos cativa pelas suas tiradas irônicas e cheias de humor, pelo seu jeito de lidar com as crianças da ACeDT e, principalmente, pela amizade carinhosa e espontânea que existe entre ele e Alan.  Se Alan teve de lutar contra o preconceito dos pais de Sofia, foi graças a Dmitri que ele não enfrentou essa batalha sozinho. E, o mais importante - na verdade o que fez brotar algumas lágrimas nos meus olhos -, foi graças a esse amigo que o que parecia ter sido o fim, se transformou apenas num breve espaço de tempo marcado pela dor e pela saudade. No fim, acho que posso dizer que foi graças a Dmitri que Alan e Sofia viveram o seu "felizes para sempre!"
“Eu não tive uma vida muito longa, verdade. Não tive esposa ou filhos. Sofri todos os males que um homem deve sofrer, para se tornar um grande homem. Mas acima de tudo. Eu tive amigos. Chorei, e me alegrei ao lado de cada um deles. E para dois desses amigos especiais. Eu lhes deixo o meu último presente. E que mudará a vida de vocês... Para Sempre”.
Preciso dizer mais alguma coisa para vocês terem certeza que recomendo demais esse livro? Não, né?! Para terminar, apresento vocês o Wallace Cavalcante e seus quatro outros livros publicados - juntamente com o Sem Palavras - Um Romance Quase Impossível - no AMAZON. Espero que tenham gostado de mais essa resenha do nosso blog. Beijinhos e até a próxima!!! :)

Arquivo pessoal do Autor

Wallace Cavalcante

25 anos. Autor de cinco livros na Amazon: "Sem Palavras - Um Romance Quase Impossível"; "Zuri O Rei das Selvas"; "O Catador de Latinhas"; "Tec... A História de Um Escritor"; e "Meu Conto de Fadas aos Dezesseis". Cursa a faculdade de Letras na UFF pelo consórcio Cederj. Escreve sobre tudo: romance, aventura, ficção científica, suspense.