27 de setembro de 2015

Seu amor pode estar do seu lado - Resenha de "Do Seu Lado", de Fernanda Saads





"Preciso mesmo passar por aí. Estou surtando de vez. Eu não gosto mais dele, logicamente. Você sabe disso. Eu sei disso, não sei? Mas por que meu coração deu cambalhotas quando ele se aproximou de mim?"

Olá pessoal!
Pensem num livro que você pegou numa feira de troca porque achou a capa linda, mas que foi ler sem nenhuma expectativa. imaginem que este livro foi um grata surpresa e fez a pessoa ficar acordada até as 4 da manhã - coisa que já não fazia há um bom tempo - porque não conseguia parar de ler. Pois é, apresento a vocês o "culpado": Do Seu Lado, de Fernanda Saads.
Fernanda Saads é uma escritora brasileira, que eu não conhecia, mas que agora, depois deste livro, quero ler mais de suas publicações.

" A gente deitava no chão e falava sobre como seria nossa vida na Itália. 
Eu dizendo que ia me esbaldar em massas e ele falando sobre como adoraria ver a Torre de Pisa de pertinho."

Vamos ao livro:
Sarah é uma mulher batalhadora, que está sofrendo com o fim de seu último relacionamento. Ela não consegue se libertar das lembranças e do desejo de se "vingar" de seu ex, se mostrando linda, maravilhosa e realizada para ele perceber tudo o que perdeu, Claro que esse plano não dá certo e toda sua resolução de mulher decidida vai por água abaixo quando, inesperadamente ela reencontra seu ex.

"Quando se levanta e estica o braço para nos cumprimentar, percebo que está malhando mais do que o habitual. Quero dizer, o habitual há quatro anos. 
É o tempo que não o vejo. Foi o tempo que levei para  poder dizer que não fico pensando nele antes de dormir..."

Igor é o melhor amigo de Sarah, eles se conhecem há anos e ele está presente em seus bons e maus momentos, mesmo nas horas mais insuportáveis de chatice extrema das fossas em que Sarah se joga por causa de Bruno, o ex.

"Preciso correr para tirar do meu pensamento a vontade de entrar em contato com Bruno e pensar em uma maneira de fazer com que Igor aceite isso numa boa. (...) Eu sei que ele aguentou toda a minha deprê assim que terminei o namoro (...). Eu sei mais do que ninguém o quanto ele se esforçou  para me fazer parar  de chorar e de comer chocolates como uma louca."

A Amizade dos dois é linda, mas o amor aguenta até um certo limite. Quando Bruno começa a se tornar presença constante novamente e surge Renata na vida de Igor, Sarah começa a perceber que nem tudo é bem do jeito que ela acha que quer que seja. Nesses momentos, vemos a bela amizade dos dois ser abalada.

"Não quero que ele vá. Na verdade, queria que as coisas fossem como antes. Do jeito que a gente ficava à vontade um com o outro. Mas parece que não há mais jeito. É como se tivéssemos pulado em um precipício. Não há mais volta."

A gente odeia a Sarah algumas vezes, tem vontade de dar umas sacudidas nela para ela enxergar o óbvio. Fora a raiva que dá desse Bruno! grrrrr

"- Esse seu amigo é bonitão. Por que você não se casa com ele?
 - Vovó! Pelo amor de Deus! - digo e sinto meu rosto queimar. 
- Ele é meu amigo!
 - Mas , querida, você pensa em se casar com um inimigo?"

Os momentos em que ela começa a sentir ciúme de Igor então, são hilários.

"Ela o faz feliz. Eu quero vê-lo feliz. Então, por que não fico totalmente animada com esse namoro? Por que tenho vontade de entregar para ele um exemplar de algum livro do tipo: 
Ela não serve para você! ou Morra, Bruxa idiota! ?"

Mas gente eu gostei de tantas partes que marquei quase o livro todo. Vou ter que fazer uma seleção das frases para postar aqui para vocês.

Muitas páginas marcadas


Igor é um personagem incrível! Fofo, lindo, cuidadoso, carinhoso e tudo aquilo que uma mulher deseja e, na maioria das vezes, quem tem um desse, como a Sarah, não enxerga isso. Por que vida? Por quê???

"É tão bonito ver como Igor cuida da Renata (...). Ao mesmo tempo é tão horrível vê-lo cuidando bem dela (...) Eu me sinto uma bruxa com vontade de fazer vodu da Renata e encher de alfinetinhos.!

O livro é recheado de tudo o que um bom chick lit tem que ter: é leve, divertido, fofo, romântico...
A escrita é envolvente, nada de muito complicado de entender, tanto que você chega numa certa parte e sua torcida pelo amor já é tão grande e você já está tão preso na história, que quando percebe, a madrugada já chegou e você tá lá, fissurada, lendo, querendo saber o desfecho e ao mesmo tempo desejando que o livro dure mais porque a melhor parte está chegando e você não quer se despedir.

"-Algum problema?
 Sim. Um grande problema. Estou completamente apaixonada por você e é bem difícil ficar ao seu lado e fingir que nada está acontecendo."

Enfim, adorei, indico para aquela hora que você quiser dar um intervalo numa leitura mais pesada, aquela hora que você quer ler uma coisa fofinha que te faça suspirar por um amor inocente, ennfim, leia este livro porque vale a pena.
Por hoje é só!
Até a próxima!

"Eu descobri o amor. E isso foi maravilhoso, apesar de tudo. Não tem jeito. Um dia ele vai bater à sua porta e, por mais que você não abra ou queira fugir, ele vai alcançar você."

25 de agosto de 2015

O Amor é a Flor da Estação - Resenha de "Mar de Rosas", de Nora Roberts




Título: Mar de Rosas (Bed of Roses)
Autor: Nora Roberts
Tradução: Janaína Senna
Editora: Arqueiro
287 páginas
Livro 2 da série "Quarteto de Noivas"

Sinopse:  Emma Grant é a decoradora da Votos, empresa de organização de casamentos que fundou com suas três melhores amigas de infância – Mac, Parker e Laurel. Ela passa os dias cercada de flores, imersa em seu aroma, criando e montando arranjos e buquês. 

Criada em uma família tradicional e muito unida, Emma cresceu ouvindo a história de amor dos pais. Não é de espantar que tenha se tornado uma romântica inveterada, cultivando um sonho desde menina: dançar no jardim, sob a luz do luar, com seu verdadeiro amor. 
Os pais de Jack se separaram quando ele era garoto, e isso lhe causou um trauma muito profundo. Ele se tornou um homem bonito e popular entre as mulheres, porém incapaz de assumir um compromisso. Quando Emma e suas três amigas fundaram a Votos, foi Jack, o melhor amigo do irmão de Parker, quem cuidou de toda a reforma para transformar a propriedade no melhor espaço para casamentos do estado. 
Os seis são praticamente uma família. E justamente por isso Emma e Jack nunca revelaram a atração que sentem um pelo outro.
Mas há coisas que não podem ficar escondidas para sempre...

Olá pessoal!

Eis que o dia chegou! A biblioteca da cidade me trouxe "Mar de Rosas" às mãos e aqui estou eu para contar o que achei dele. A ansiedade pela continuação era tanta que terminei a leitura em três dias (se não tivesse que trabalhar, ou dormir, teria terminado antes). Então vamos lá.
Este é o segundo volume da série, e conta a história da florista Emma Grant. Uma mulher super bem resolvida, determinada e que sabe bem o que quer e isso vale para todos os aspectos de sua vida. Apesar de ser romântica e sonhar com um príncipe encantado e uma noite de dança à luz do luar, Emma nunca se deixou levar pelas emoções e controla todos os seus casos antes que eles cheguem longe demais. Para ela é oito ou oitenta, não tem meio termo. Da mesma maneira que ela não deseja que brinquem com seus sentimentos, ela também não faz isso com os homens com os quais se relaciona. E ela consegue viver muito bem desta maneira.

"O amor pode ferrar bastante com você até que descubra como conviver com ele. E uma vez que você descobre, fica se perguntando como conseguiu viver até ali sem ele."

Jack é um arquiteto, solteiro convicto. Nunca sentiu essa necessidade de "se amarrar" a alguém. Seus pais se separaram quando ele era pequeno e talvez isso o tenha feito ficar um tanto quanto traumatizado com relacionamentos. Desta forma, nunca deixou nenhuma mulher chegar perto demais.
Mas o destino nunca quer saber de nossas convicções e com nossos queridos personagens aqui, não poderia ser diferente. É deste modo que Emma e Jack, amigos a mais de dez anos, passam a se ver de outra maneira. O desejo pega fogo e o amor bate a porta  e aí...


Emma tinha cheiro de flores, mas Jack não conseguia distinguir quais seriam. 
Era um buque misterioso e exuberante. Seus olhos eram escuros, suaves, profundos, 
e a boca... teria um gosto tão bom quanto o do bolo de Laurel? Que inferno isso!
     - Olhe, isso com certeza não é lá muito apropriado, portanto, peço desculpas de antemão.
   Pegou-a pelos ombros novamente e a puxou mais para perto. 
Viu então aqueles olhos escuros, suaves, profundos se arregalarem de espanto um segundo antes de seus lábios tocarem os dela.


Nora Roberts é uma de minhas romancistas favoritas. Embora ela tenha escrito tantos romances que faça com que o resumo da obra pareça clichê, ela sempre sabe nos prender na medida certa e fazer com que a gente queira sempre mais e mais. Com Emma e Jack ela segue por um caminho que faz a gente acreditar que não tem como dar errado e de repente, tudo desaba e faz a gente ficar indignado, querendo saber por que, POR QUE o mundo não pode ser menos complicado e as pessoas se aceitarem do jeito que são e enxergarem as coisas de maneira mais simples???
Mas se fosse tudo tão fácil assim, não teria graça e é aí que está o elemento X dos livros desta mulher maravilhosa.

"Você precisa parar com isso. O vinho e suas mãos mágicas vão acabar me fazendo dormir aqui mesmo, na escada."

Gostei do segundo volume, porém, o primeiro me encantou mais, talvez por Carter ser mais fofo, ser romancezinho de escola, ter aquela coisa de amor da vida toda... Sei lá. Alguns dos motivos por eu ter gostado mais do primeiro você pode encontrar aqui. Achei que o desfecho deste segundo foi meio no atropelo, sabe? Mas isso não significa de maneira nenhuma que o livro é ruim. Só gostei mais do primeiro e, como não poderia deixar de ser, ele vem com o gostinho do que está por vir no terceiro e no quarto livros, o que nos dá aquela pitada de quero mais que faz toda a diferença.
Enfim, o terceiro livro vai contar a história de amor de Lauren, a doceira, que, se for como as pistas neste livro indicam, tenho certeza de que vou amar.


Viver comigo. Acordar comigo, plantar flores para mim e provavelmente me lembrar de regá-las. Vamos fazer planos e muda-los à medida que o tempo for passando. Vamos construir um futuro. Vou lhe dar tudo o que eu tiver e, se precisar de mais alguma coisa, vou buscar e lhe dar também.



Por hoje é só e até a próxima!

16 de agosto de 2015

Simplesmente fofo - Resenha de "Garoto Encontra Garoto", de David Levithan

Imagem: Cachola Literária



Título: Garoto Encontra Garoto (Boy Meets Boy)
Autor: David Levithan
Tradução:
Editora: Galera Record
240 páginas

Olá pessoal!
Estou aqui porque eu quero, porque eu DEVO e porque eu PRECISO falar deste livro fofo - na falta de uma palavra melhor - que acabei de ler.

"Andamos pela cidade mãos dadas. Se alguém repara, ninguém liga.
Sei que todos gostamos de pensar no coração como o centro do corpo, mas nesse momento, 
cada parte consciente de mim, está na mão que ele segura."

Sou uma romântica incurável, delirante e sonhadora, defensora do amor acima de todas as coisas, de todas as formas e de todos os conceitos e esse livro me trouxe tudo isso e muito mais. Me trouxe o resgate daquele amor inocente, sabe? Quando a gente gosta do garoto bonito da escola e acha que ele é areia demais pro nosso caminhãozinho e, de repente, não mais que de repente, aquele garoto gosta de gente? Milagres que acontecem de um em um milhão e que enchem o coração da gente de alegria? Um mundo com mais aceitação e tolerância? Tudo isso me fez ficar embriagada e não conseguir ler mais nada porque a linda história de amor de Paul e Noah tomou todos os meus espaços e eu não consigo deixar que eles saiam de mim. O livro é divertido, faz a gente pensar, faz a gente rir, faz a gente torcer, deixa a gente co raiva de algumas coisas e a palavra para mim é resgate. Resgate do amor no mais puro sentido da palavra. E fazia tempo que eu não lia um romance assim (e olha que eu leio muito!), que me deixou flutuando e delirando como se uma das metades do casal fosse eu. 

"- A gente se vê por aí.
Tenho vontade de dizer 'espero que sim', mas fico com medo de ser avançado demais. 
Sou capaz de flertar com os melhores, mas só quando não importa.
  - A gente se vê - ecoo."

Paul e Noah ainda estão na escola e se conhecem numa biblioteca (olha que lugar mais lindo para uma história de amor começar <3). A partir deste primeiro momento, Paul começa a sentir algo diferente e o romance dos dois começa a se desenvolver.
Os personagens deste livro são incríveis. David Levithan tem uma sensibilidade que não dá para descrever. 
Noah é um Príncipe Encantado gente! E se eu for ficar enumerando cada razão pela qual eu gostei dele, essa resenha não vai ter fim.
 Paul é bastante confuso, atrapalhado, e vive tantas situações que eu já vivi, que me identifiquei com ele muitas vezes.

Noah é pontualíssimo. E trouxe flores para mim. Tenho vontade de chorar. Sou tão bobo, mas agora estou tão feliz. São jacintos e jacarandás e uma dezena de outras flores que não consigo nem começar a nomear. Um alfabeto de flores. Ele as está dando para mim, sorrindo e dizendo oi, esticando os braços e colocando-as na minha mão. A camisa dele brilha um pouco na luz do sol, e o cabelo está bagunçado, como sempre. Ele hesita um pouco no degrau de entrada, esperando para ser convidado. Eu me inclino para a frente e o beijo.

Toni é o melhor amigo de Paul e poderia ser um pretendente perfeito mas, conforme a história se desenvolve, a gente vai percebendo que a amizade entre os dois é um amor muito maior do que qualquer outro e esse é um dos pontos altos do livro para mim. Toni é um garoto que esconde dos pais que é gay - e que seu melhor amigo é gay também - pois seus pais são extremamente religiosos e não aceitariam sua condição jamais. Por essa amizade, Paul se une a Joni - sua melhor amiga - para inventar histórias e poder tirar Toni de casa.

"...Acho que nós dois sabíamos, mesmo naquele momento, que o que tínhamos era uma coisa ainda mais rara e mais importante. Eu seria seu amigo e mostraria possibilidades a ele. 
E ele, em troca, se tornaria alguém em quem posso confiar mais do que em mim mesmo."

Joni é a melhor amiga de Paul, uma garota comum, cujo ex namorado ainda é apaixonado por ela, que por sua vez, está começando um namoro com um garoto do qual ninguém gosta. Esse namoro tolhe partes de sua personalidade, o que acaba interferindo em suas amizades, principalmente em sua relação com Paul. Fiquei com muita raiva da Joni porque ela não consegue enxergar que está saindo com um babaca e jogando seu melhor amigo de anos pra escanteio. Sério! Teve horas em que eu queria sacudir o livro e dar uns tabefes na cara dela perguntando como é que ela podia ser tão estúpida! (Ok, ok, muitos sentimentos pessoais envolvidos aqui. Paul, cara, eu sei exatamente como você se sentiu - 'suspiros').

"Não consigo mais aguentar. Estou surtando porque sei que cometi um erro com Kyle, e estou surtando porque não parece ser de todo um erro. Estou surtando porque minha amizade com Joni está passando por um momento delicado depois de dez anos, e estou surtando porque ela não parece se importar. Estou surtando porque Noah parece não saber o que quero dele, e estou surtando porque não sei o que eu poderia dar a ele em retribuição. Estou surtando porque fui pego no flagra, e não por outra pessoa, mas por mim mesmo. Eu vejo o que estou fazendo. E não consigo me impedir de piorar as coisas."

E temos também Infinity Darlene, uma das personagens mais incríveis do livro. Uma super amiga para todas as horas, apoiando Paul com todo seu jeito exuberante, porém verdadeiro. E eu não vou falar mais nada da Darlene aqui para não estragar a reação de quem ainda não leu. Mas ela é uma personagem que merece destaque e que foi, sem dúvida, muito bem construída.

Para fechar o grupo, temos Kyle, o ex namorado de Paul, que vive um dilema de identidade sexual: ele não sabe se é gay, se é hétero, se é verde, amarelo ou azul. Ele fica rondando Paul, pois apesar de ter sido ele quem terminou o relacionamento por achar que gostava de mulher, agora resolveu que sente falta de Paul e quer ser gay de novo. Não gostei do Kyle. A meu ver apareceu só para atrapalhar, não sabe o que quer da vida, se casa ou compra uma bicicleta, enfim, muita confusão mental para mim. Apesar de que no final eu comecei a torcer para que um novo amor surgisse na vida dele, mas o autor não desenvolveu tanto essa parte da história, ficou meio que nas entrelinhas... Mas bem que ia ser legal se tivesse acontecido, pelo contexto geral da situação. 
E é no meio de todo esse turbilhão que Paul tenta seguir seu amor por Noah e fazer com que tudo dê certo.

"Podemos chamar você de ambissexual ou duosexual ou,,,
- Preciso mesmo encontrar uma palavra para isso? Não posso apenas ser?"

Eu amei esse livro, apesar da realidade utópica - sim , isso ficou paradoxal - que ele retrata. Na cidade de Paul ser gay não é problema - o que seria muito lindo se fosse verdade, mas infelizmente a gente sabe que não é - a ponto de o time de futebol, ter como quarterback uma drag quenn! Que como se não bastasse isso, é também a Rainha do baile!
Fora isso existem tantas razões para eu ter amado esse livro que se eu ficar falando vou acabar contando a história toda, o que não é o que eu quero, porque todo mundo tem o direito de se surpreender e se apaixonar por esse livro que, não tem outro jeito de chamar a não ser FOFO.

Lindo seria se a gente pudesse viver no mundo que este livro retrata. Acho que a minha ressaca vem daí. É tudo tão lindo, que dá vontade de ficar lá e não aqui nesse nosso mundo real.

Por hoje é só, leiam este livro e celebrem o amor!

Beijos e até a próxima!

13 de agosto de 2015

Uma noite de Cinderela - Resenha de "Um Perfeito Cavalheiro", de Julia Quinn




Título: Um Perfeito Cavalheiro (An Offer from a Gentleman)
Autor: Julia Quinn
Tradução: Cássia Zanon
Editora: Arqueiro
295 páginas
Livro 3 da série Os Bridgertons


Olá pessoal!
Já faz um bom tempo que eu li este livro, porém só agora tive tempo para me dedicar à resenha dele.
Sou louca por essa série dos Bridgertons e com toda a certeza, este foi o livro que mais gostei até agora - apesar de ter um leve suspeita de que o próximo vai se tornar meu preferido rapidinho...

"- Esta noite eu estou transformada - sussurrou ela. - Amanhã eu desaparecerei.
Benedict a puxou para perto e deu um beijo breve e suave na sobrancelha dela.
- Então teremos que fazer uma vida inteira caber nesta noite."


Bom, quero começar falando do título, que eu acho que ficaria melhor se tivesse sido traduzido ao pé da letra - Uma Oferta de Um Cavalheiro. Obviamente é um título irônico, que brinca com a oferta que Benedict faz a Sophie, que é tudo, menos cavalheiresca.

"- O senhor deve me achar uma tola (...) por não saber dançar.
- Na verdade, eu a acho muito corajosa por admitir isso. (...). A maioria das mulheres que eu conheço teria fingido estar machucada ou desinteressada.
- Eu não tenho o talento necessário para fingir desinteresse."

Adorei este livro pela ideia de utilizar a história da Cinderela como pano de fundo - um baile, uma moça misteriosa que ninguém sabe de onde veio e que foge correndo sem mais nem menos, sem revelar sua identidade, deixando louco de amor o jovem mais cobiçado do local.
tendo sua história totalmente inspirada na Conderela, Sophie sofre todas as maldades possíveis vinda de sua madrasta horrível e das filhas dela. Ser cortejada por um belo cavalheiro de uma família tradicional da sociedade parece um sonho impossível, até que surge sua "fada madrinha" e a ajuda a comparecer ao Baile de Máscaras da Família Bridgerton. Lá, ela encontra Benedict, que claro, fica imediatamente encantado pela jovem misteriosa da qual ninguém conhece a identidade. Esta ovem vai embora repentinamente, levando com ela o coração do segundo Bridgerton.
Enquanto estou escrevendo fico encaixando as cenas do filme da Cinderela (este último que saiu nos cinemas), tudo fica tão lindo...

"Passara a vida seguindo o caminho mais seguro, mais prudente. 
Apenas em uma noite abandonara a precaução. 
E fora a noite mais emocionante, mágica e maravilhosa de toda a sua existência"


Enquanto ficam separados, a adrenalina da leitora voraz e apaixonada por Contos de Fadas como eu, só cresce, porque Sophie está lá, sofrendo e Benedict não consegue parar de pensar nela, sem sequer ter ideia de quem ela é, e a gente fica torcendo por esse reencontro, até que o destino coloca os dois frente a frente novamente. Sophie jamais poderia tê-lo esquecido. já Benedict...

"-Acho que preciso beijá-la - acrescentou Benedicit (...) - 
É como respirar. Não há muita escolha."


Não vou ficar dando muitos detalhes a partir daí, ou vou acabar estragando as melhores partes do livro. Resumindo: amei. Não tem o que falar. Julia Quinn acerta cada vez mais e eu espero sinceramente que o quarto livro continue me fazendo ansiar pelo próximo, amando cada vez mais as histórias desta família que com certeza vai ficar marcada na minha lista de romances de época prediletos.

"- Eu posso viver com você me odiando (...). Só não posso viver sem você."

Aliás, ansiedade é a palavra. Julia Quinn, mulher, como é que você me acaba um livro com a promessa implícita de revelar o maior segredo da sociedade londrina, que vem se arrastando desde o primeiro livro? Para você que não leu ainda, quando você chegar lá no último parágrafo deste livro, volte aqui e me conte se ela tem direito de fazer isso com a gente.
Não vou dizer mais nada. Apenas leiam. Vale mais do que a pena.
Vou ficando por aqui! 
Até a próxima!


"Você compreende qual é a sensação de ser desprezado? Quantas vezes acha que pode me rejeitar antes que eu pare de tentar?"









16 de julho de 2015

Revisitado Pemberley - Resenha de "Primeiras Impressões", de Laís Rodrigues de Oliveira (LRDO)



Título: Primeiras Impressões
Autor: Laís Rodrigues de Oliveira
Editora: Kiron
304 páginas


Já faz um tempinho que fuçando aqui e ali na internet, descobri uma autora brasileira que tinha escrito um livro inspirado em Orgulho e Preconceito, da minha amada idolatrada Jane Austen. Eu, como fã enlouquecida de Jane e apaixonada eterna por Fitzwilliam Darcy, tinha que ler este livro de qualquer jeito. Então, escrevi um email para a autora, contei que tinha um blog de resenhas e que estava muito interessada no livro dela. Foi assim que, muito amavelmente, a autora me cedeu um exemplar e eu me joguei de cabeça na leitura deste livro.
A autora é Laís Rodrigues de Oliveira, uma fã de Jane Austen como a gente, que decidiu dar uma nova vida a nossos já tão conhecidos e amados personagens. Você pode saber mais sobre a autora, acessando o site dela.

Vamos ao livro:
A história se passa nos dias atuais, mais precisamente entre as paisagens paradisíacas de Búzios e Nova York e mais algumas cidades dos Estados Unidos. 
Liz Benevides está voltando para o Brasil com uma mala cheia de saudades. A possibilidade de rever sua família a deixa extremamente feliz. Sua família mora em búzios e é dona da pousada mais bem sucedida do local.
Charles Bing, convida o amigo Fred Darcy para vir com ele ao Brasil e conhecer o local onde pretende montar seu mais novo restaurante. O amigo não entende porque um restaurante deve ser montado num país de terceiro mundo tão longe de casa, mas o acompanha na viagem.

A história é aquela nossa velha conhecida, mas não pense que por isso, deixa de ser surpreendente. A versão carioca de Elizabeth Bennet é - se é que isso é possível -ainda mais ousada. Sem papas na língua, ela responde às provocações de Fred na lata, sem medo do que ele possa penar a seu respeito. Ele, é claro, se encanta com tão surpreendente criatura. Uma mulher que tem a ousadia de desafiá-lo só pode ser a mulher dos seus sonhos e isso ele percebe - pelo menos eu achei - bem mais rápido que nosso Darcy versão clássica.

Adorei o livro, muito bem escrito, repleto de cenas que deixam a nossa imaginação a mil. Sabe aquelas coisas todas que a gente queria que tivesse no livro, mas que a época não combina? Então, Primeiras Impressões realiza essas nossas fantasias malucas, com cenas de beijos e carinhos e frases que não caberiam entre Lizzie e Darcy do século passado, mas que ficaram perfeitas para Liz e Fred de agora. 

Não sei mais o que dizer... Laís encaixou tudo tão perfeitamente que só posso dizer que fiquei encantada, principalmente com essa coragem de revisitar um clássico e conseguir não deturpar a imagem do livro original, criando uma história envolvente e diferente apesar da inspiração original, onde a gente torce muito para os protagonistas e para o casal secundário, que são uns fofos. Adoreiii Charles Bing e Caroline conseguiu ser mais insuportável do que já é. Tanto gostei que li o livro em dois dias e teria lido em menos tempo se não tivesse que trabalhar! haha

Enfim, indico a todas as fãs, que se joguem nessa leitura porque vale a pena. É mais uma maneira de mantermos Lizzie e Darcy presentes em nossa vida, com uma versão diferente e atual.

Aproveito para agradecer à Laís pela parceria e desejar todo sucesso para você em sua caminhada!



Por hoje é só e até a próxima!

3 de julho de 2015

Se o primeiro foi vendaval, o segundo é uma tsunami - Resenha de "Outlander - A Libélula no Âmbar", de Diana Gabaldon




Eu terminei de ler este livro há alguns dias. Demorei a conseguir sentar na frente do notebook e fazer a resenha porque ainda não sei muito bem o que falar. A Malu, que leu primeiro que eu, talvez possa me dar um help aqui, porque para mim, tá difícil.
Dizer que a escrita é envolvente e que a gente não tem vontade de parar de ler até que se chegue à última página, é redundante. Diana é uma bruxa da escrita. Ela enfeitiça a gente e o efeito da poção não passa, mesmo depois do fim do livro.
Dizer que Jamie e Claire são lindos e apaixonantes e que o amor deles supera qualquer barreira além de nossa imaginação, é outra redundância.
Então, eu absolutamente não sei o que dizer.

Este livro começa  em 1968, ou seja, já começa com um spoiler, deixado claro que, de alguma maneira, Claire voltou de 1743. Ela e sua filha Brianna estão na Escócia, em busca de algumas informações sobre os guerreiros de Culloden. Informações essas que Claire acredita que estejam em poder do reverendo Wakefield. Ao bater em sua porta, elas encontram Roger, o filho adotivo do reverendo e ele resolve ajudar nas investigações. E é no meio dessas investigações que Claire vira a vida de Brianna de ponta cabeça, revelando a ela e a Roger seu grande segredo.

Então partimos de volta no tempo, com Claire e Jamie na França, vivendo com o primo de Jamie, Jared Fraser. e tentando, de alguma maneira, mudar o destino e evitar a Revolta Jacobita. Todos os seus planos parecem sempre perfeitos, mas o destino - também conhecido como Diana Gabaldon - sempre dá um jeito de revirar tudo que parecia certo e ao invés de evitar, eles praticamente dão o tiro inicial nessa guerra.

Mas nada impede que eles sigam lutando e se agarrando ao último fio de esperança existente, até não restar mais nada além do desfecho inevitável. E é aí que vem a pergunta que não quer calar: COMO VOCÊ PODE ME ACABAR UM LIVRO DESSE JEITO, MULHER? Sim, o livro acaba daquele jeito, que todo leitor sofredor de séries teme - e ama- com gostinho de quero mais.

Por sorte o terceiro livro já saiu e assim que as moedinhas no porquinho aqui forem suficientes, ele será o novo integrante da minha estante.

O primeiro livro foi mais emocionante para mim, o que não significa que este não tenha emoção. As emoções são diferentes. Este livro é mais sofrido para nosso querido casal, as dificuldades que eles enfrentam são ainda maiores, maiores até do que a dor de se entregar ao vilão da história para salvar sua mulher. Não vou contar qual é essa dificuldade, para não tirar a graça pra quem não leu. Mas quem já leu sabe do que eu estou falando. Eu chego a conclusão de que Diana tem a mente muito perturbada para conseguir escrever coisas assim e ainda nos deixar fascinados pela história. Outlander está longe de ser um romance de mulherzinha. Tem aventura, tem ação e relatos históricos para ninguém botar defeito. Coisas de arrepiar a nuca, cenas chocantes, cenas fofas, cenas engraçadas... Na classificação fica até difícil de definir, de tanto gênero que ele se encaixa. É um dos melhores enredos que li ultimamente. E olha que estou apenas no segundo. Fico me perguntando como uma pessoa consegue escrever uma história tão longa e não perder os foco, o fio da meada e ainda manter - cada vez mais forte - o interesse do leitor. Sim, porque embora eu não tenha lido ainda, a série existe há mais de 20 anos e muita gente já leu e continua amando enlouquecidamente seus até hoje publicados 8 volumes (com mais de 700 páginas cada um). Como pode? Ponto para Diana Gabaldon!

Sobre Jamie, continua lindo, apaixonante, sedutor e cada vez mais concorrente de Mr. Darcy dentro de mim. Ele é realmente aquele tipo de homem que não existe. Não há possibilidade real de um homem amar sua mulher como ele ama sua Claire. #ClaireMulherDeSorte. Há muitas cenas românticas entre os dois, muita briga e ciúme, o que acaba rendendo passagens hilárias, que dá vontade de ler de novo, porque acaba ficando fofo. E a gente fica ainda mais encantada pelos dois.

Resumindo, não vejo a hora de ter o terceiro em mãos e viajar novamente nessa história de amor de tirar o fôlego, o sono, o bom senso e a razão de viver.
E até que o terceiro chegue, vou me consolando com algumas das frases lindas de Jamie e Claire nessa segunda parte de suas aventuras:


"Ah, Claire, meu coração dói de tanto amar você."

"- Jamie, eu só quero estar onde você estiver. Nada mais."

"- Jamais vou entender os homens(...)
 - Você não precisa me entender, Sassenach. - disse ele serenamente. - Desde que me ame. - Inclinou a cabeça para a frente e beijou minha mãos unidas com ternura. - E me alimente. - Acrescentou ele, soltando-as.
 - Ah, compaixão feminina, amor e comida? - disse, rindo. - Está querendo muito, não acha?"

"- Eu não sei o que é você tem, Sassenach, que sempre me faz querer me exibir para você. Vou acabar sendo morto um dia desses, tentando impressioná-la."

"Nem uma vida inteira basta para este tipo de amor."

"(...) Deixe que eu lhe diga em seu sono o quanto eu a amo. Porque as palavras que lhe digo enquano está acordada são sempre as mesmas, não são suficientes. Enquanto você dormir em meus braços, posso dizer-lhe coisas que soariam tolas e loucas, e seus sonhos entenderão a verdade delas.(...)"

"- Eu a encontrarei. (...). Eu prometo. Ainda que tenha que suportar 200 anos de purgatório, duzentos anos sem você (...). Porque eu menti, matei e roubei; traí e quebrei a confiança. Mas há uma única coisa que deverá pesar a meu favor. Quando eu ficar diante de Deus, eu terei uma coisa para contrabalançar o resto. (...). Meu Deus, o Senhor me deu uma mulher especial e, Deus! eu a amei demais!"

Fala sério: tem como não amar este homem????

Próximo livro da série: Outlander - O Resgate no Mar
O livro foi dividido em dois volumes tanto na primeira publicação pela Editora Rocco



Quanto na segunda publicação, deste ano, pela Editora Saída de Emergência:



Se você já leu, deve estar tão enlouquecida (o) como eu. Se não leu, não perca mais tempo e embarque já nessa história maravilhosa que só o amor pode explicar.
Até a próxima!



22 de junho de 2015

Resenha: "Como Eu era antes de Você" - Jojo Moyes


Sinopse: Aos 26 anos, Louisa Clark não tem muitas ambições. Ela mora com os pais, a irmã mãe solteira, o sobrinho pequeno e um avô que precisa de cuidados constantes desde que sofreu um derrame. Além disso, trabalha como garçonete num café, um emprego que ela adora e que, apesar de não pagar muito, ajuda nas despesas. E namora Patrick, um triatleta que não parece interessado nela. Não que ela se importe. Quando o café fecha as portas, Lou se vê obrigada a procurar outro emprego. Sem muitas qualificações, a ex-garçonete consegue trabalho como cuidadora de um tetraplégico. Will Traynor, de 35 anos, é inteligente, rico e mal-humorado. Preso a uma cadeira de rodas depois de um acidente de moto, o antes ativo e esportivo Will desconta toda a sua amargura em quem estiver por perto e planeja dar um fim ao seu sofrimento. O que Will não sabe é que Lou está prestes a trazer cor a sua vida. E nenhum dos dois desconfia de que irá mudar para sempre a história um do outro.




Depois de tanto falar aqui sobre a minha paixão por esse livro, finalmente criei coragem de resenhá-lo no blog. Semana passada me peguei completamente abalada nas minhas estruturas com todas as notícias que estão sendo divulgadas sobre a adaptação dele para o cinema, e a consequência disso se fez no meu coração, que não aguentou a saudade de Lou e Will, e por isso me fez mergulhar novamente nessa história que mexeu comigo muito mais que qualquer outra. Aliás, no tocante à capacidade de proporcionar reflexões, mexer com valores que a gente tem como certos e nos fazer mergulhar de cabeça numa realidade que conscientemente a gente sabe que pertence a um livro, a trama de "Como Eu Era Antes de Você" - pelo menos para mim - se compara a de "Orgulho e Preconceito", apesar dos dois livros abordarem temáticas completamente diferentes. Mas, porém, todavia, contudo, vou deixar de blá-blá-blá e apresentá-los a Will e Lou. 

Quando li a sinopse desse livro, eu andei muito longe de imaginar o quão particular seria sua história pra mim, pois confesso que não foi exatamente ela que despertou minha curiosidade. Na verdade foi o título que chamou minha atenção, e acredito que qualquer que fosse a apresentação da história descrita na sinopse, eu o teria lido mesmo assim. Como eu era antes de você, a expressão, nos remete a realidade da influência que exercemos uns sobre os outros, certo? Ao fato de que como pessoas estamos sempre em processo de mudança, transformação, e nenhum fator é tão influenciador nesse sentido quanto as relações que travamos ao longo do caminho. Pois bem. É exatamente sobre isso que nos fala Como Eu era antes de Você, o livro. Sobre o impacto que os personagens causaram na vida um do outro; sobre a transformação que Louisa Clark vivenciou quando conheceu Will Traynor, e sobre o quanto a presença de Lou se tornou importante para a melhoria da vida de Will.

Como Eu era antes de Você nos apresenta inicialmente a Will, um empresário londrino bem sucedido, amante da vida e apaixonado por esportes e adrenalina. Percebemos que ele tem uma rotina agitada antes mesmo de chegarmos a quinta página do livro, e por isso o desenrolar da história vai tornando intensamente profundo e complexo. Imagina você de uma hora para outra perder toda a liberdade quem tem? Pois é... Foi exatamente isso que aconteceu com Will Traynor quando, numa manhã chuvosa, ele foi atropelado por um motociclista. Esse acidente, além dos movimentos dos braços e pernas, lhe tirou também toda a alegria e a vontade de viver. Assim, num salto de dois anos da história, vamos encontrar também Louisa Clark, uma jovem mulher de 26 anos, que nos é apresentada como alguém simplesmente normal - para alguns, isso significaria sem sal. Sem grandes ambições, ela mora com a família (pai, mãe, irmã, sobrinho e avô) e namora Patrick, um personal trainer viciado em corrida. A vida de Louisa, contudo, sofre uma reviravolta inesperada quando o Café em que ela trabalha fecha as portas e ela precisa urgentemente de um novo emprego. 

Eu poderia escrever horas e horas sobre esse livro, gente. Sério. Mas além de não querer cansar vocês com a minha empolgação, não quero correr o risco de estragar o prazer daqueles que ainda não o leram ao deixar escapar alguns spoilers. O que posso dizer a respeito desse romance, basicamente, é que ele vai muito além de uma história de amor. Na verdade, eu acredito que a Jojo - para escrevê-lo - deve ter feito uma pesquisa prolongada a respeito da vida das pessoas com deficiência, sobre os seus medos, expectativas, vontades, frustrações, desejos e sonhos. O livro nos remete a um universo de sentimentos e é impossível não sentir as emoções dos personagens. Eu, por exemplo, ora me sentia como Will, ora como Lou, e isso sem contar as vezes em que me vi meio que na pele de Camylla Traynor, mãe do Will e responsável pela contratação de Louisa como "cuidadora" deste.  Sim, é nesse contexto - cuidadora e assistido - que eles se encontram, e que a partir desse momento, sua vidas nunca mais serão as mesmas.

Sam Claflin e Emilia Clarcke durante as filmagens de "Como Eu era antes de Você". Fonte: Facebook
É difícil discorrer sobre o desenrolar da história sem contar os seus detalhes, mas o que posso adiantar - já que a sinopse fala a respeito - é que Lou consegue, com o tempo, trazer um pouco do antigo Will de volta. Seu jeito espontâneo, muitas vezes desastrado e, principalmente, sua forma de lidar com ele (ele quase sempre é grosseiro e sarcástico), fazem com que Will se permita, pouco a pouco, baixar a guarda, passando com isso a enxergar nela alguém que ele deseja ter por perto. E esse é um dos fatos mais marcantes no livro. Ele fazendo de tudo para que Lou desabroche e descubra os próprios potenciais, e ela dando o melhor de si, tentando fazê-lo reconhecer que ainda poderia existir vida após o acidente. De minha parte, eu só digo uma coisa a esse respeito: é tenso! Se de um lado eu torcia muito para Louisa conseguir fazê-lo desistir das Dignitas, por outro eu compreendia perfeitamente o pensamento, o desejo, e os temores de Will (e isso de fato me assustou, porque o desejo dele é completamente o contrário de tudo aquilo em que eu acredito).

Enfim, o fato é que esse livro, bem como Will e Lou ficarão para sempre entre os primeiros no rol dos meus favoritos. Não posso deixar de dizer que o final é totalmente o oposto do que eu esperava e desejava ardentemente, mas esse fato não tirou de mim o amor por essa linda história. Fazendo jus ao que eu imaginava quando o título despertou em mim a vontade de lê-lo, Como Eu era antes de Você é sobretudo um romance que nos fala sobre a importância dos papéis que desempenhamos na vida uns do outros; sobre o quanto nossas atitudes, palavras e comportamentos podem vir a ser um bem ou mal na vida daqueles que convivem conosco. No livro a atitude de Lou visava salvar Will da morte, e a de Will tinha por objetivo salvar Louisa da existência morna e sem qualquer perspectiva que ela levava. Ambos deram o melhor de si, mas - talvez espelhar realmente a vida tenha sido o objetivo da autora - o fato é que nem sempre o melhor de alguém é o bastante para outro. Enfim, o livro tem um quê agridoce é bem verdade, mas é impossível não se emocionar com ele.

É isso, gente. Beijos e até a próxima! Deixo alguns quotes para vocês e, abaixo, um vídeo elaborado por uma fã do livro, com algumas das cenas da adaptação para o cinema. O lançamento do filme está previsto para 2016. #ansiedademodoon
 

“Sei que essa não é uma história de amor como outra qualquer. Sei que há motivos para eu nem dizer isso. Mas eu amo você. De verdade.”
*
“Quando o pegava olhando para fora através da janela, pensava que ele era a pessoa mais triste que eu já conhecera.”
*
“Fiquei deitada imóvel, ouvindo a respiração dele lenta e profunda, o som da chuva por trás dela, senti meus dedos cálidos entrelaçados nos meus. Eu não queria voltar pra casa. Pensei que poderia nunca mais voltar.”
*
"Sabe como é difícil não dizer nada? Quando seu corpo inteiro quer fazer o contrário?"
*
"Ninguém quer ouvir você falar que está com medo, ou com dor, ou apavorado com a possibilidade de morrer por causa de alguma infecção aleatória e estúpida. Ninguém quer ouvir sobre como é saber que você nunca mais fará sexo, nunca mais comerá algo que você mesmo preparou, nunca vai segurar seu próprio filho nos braços. Ninguém quer saber que às vezes me sinto tão claustrofóbico estando nesta cadeira que tenho vontade de gritar feito louco só de pensar em passar mais um dia assim."
*
"Seu corpo era apenas uma parte do pacote completo, algo para se lidar de vez em quando, em intervalos, antes de voltarmos a conversar. Para mim, tinha se tornado a parte menos interessante dele."
*
"Beijei-o, tentando trazê-lo de volta. Deixei meus lábios nos dele de maneira
que nossa respiração se misturou e minhas lágrimas viraram sal na sua pele e
disse a mim mesma que, em algum lugar, pequenas partículas dele virariam
pequenas partículas de mim, ingeridas, engolidas, vivas, eternas. Queria apertar
cada parte minha nele, deixar alguma coisa minha nele, dar a ele cada pedaço da
minha vida e obrigá-lo a viver." 
*
"Com que direito você destrói a
minha vida — eu queria perguntar —, e eu não estou autorizada a dizer nada a você
sobre isso?" 
 *
"É isso. Você está marcada no meu coração, Clark. Desde o dia em que
chegou, com suas roupas ridículas, suas piadas ruins e sua total
incapacidade de disfarçar o que sente. Você mudou a minha vida muito mais
do que esse dinheiro vai mudar a sua.
Não pense muito em mim. Não quero que você fique toda sentimental.
Apenas viva bem.
Apenas viva.
Com amor,
Will"